segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Isn’t a psychedelic breakfast

                Domingo é naturalmente um dia chato, longe de casa, dos meus amigos e sem uma rotina, cansado de não fazer nada, é nessa situação domingo se torna um dia importante pra se ocupar com alguma coisa, ou senão você se mata. O dia começa pelo café da manha, coisa de inglês isso, eu nunca liguei para o que eu comia de manha, se eu estivesse em casa eu provavelmente não comeria nada porque teria muita preguiça de fazer qualquer coisa, sabe foda-se é só o café da manha, ninguém liga. Por tanto não estou em casa e acho bem interessante se inserir da maneira que se pode na cultura diferente, então faria meu café da manha. Como eu ainda não tinha amigos ou parceiros de festa, não tinha ressaca nenhuma, diferente de todos os malucos que moravam comigo, eles ainda dormiam porque a noite anterior tinha sido grande e cheia de álcool. Eu ainda tava com problema de fuso horário e sempre acordava as quatro horas da manha e tinha dificuldade para voltar a dormir, então sete da manha eu já estava de pé e na cozinha, olhando o que eu tinha para cozinhar, alguma coisa teria que servir de café da manha naquela coisa. Foda-se economizar para amanha domingo já é um dia chato o suficiente para eu me preocupar com mais uma coisa, farei um café da manha com tudo que tenho e tenho direito. Pego quatro fatias do meu pão (o pão era muito vagabundo, o mais barato, era o que eu podia  comprar mas uma fatia parecia uma folha de papel), três fatias restantes de bacon que já estavam quase estragando. Dois ovos e hoje eu tentaria uma coisa nova. Torradas, ovos e bacon é bem padrão pro pessoal aqui, para mim isso não era café da manha, eu estava me inserindo na cultura então isso teria que fazer sentido para mim. Sete da manha é cedo pra qualquer sujeito, não me engano, mas não conseguia mais dormir então fiquei uns quinze minutos encarando os ovos e pensando na melhor maneira de cozinhá-los. Finalmente tive a iluminação, tinham me contado de uma maneira ótima de fazer os ovos. Era bem simples, jogá-los na água e deixar cozinhando por seis minutos, não cinco nem sete, seis.  A clara fica dura e a gema fica dura por fora e cremosa por dentro, uma textura que só fazendo para saber como é. Então já que os ovos eram a questão principal para o sucesso da operação “café da manha” os deixei por ultimo. Os bacons e as torradas não tinham mistério nenhum e são bem rápidos de fazer, então deixei a água dos ovos ferver, montei o prato com as torradas com manteiga, bacon por cima e parti para os ovos. Depois de seis minutos é importante que eles vão direto para a água fria, porque o diferença de temperatura faz alguma coisa com a textura e facilita na hora de tirar a casca. Acho que eu atingi a perfeição divina com meus ovos. Por isso chamei esse método de “seis minutos para o céu”. Depois disso fiz um sanduiche de presunto e queijo, meti uma salada pronta no meio, embrulhei o sanduiche e coloquei na mochila com mais duas maças, uma laranja e um calção de banho mais uma toalha. Estava decidido a ir a praia que ficava dez quilômetros de distancia, mas foda-se porque eu não tinha nada para fazer do meu dia inteiro, ir andando para lá tomaria boa parte do meu dia, e praia sempre é agravável, o dia estava bonito então a praia não era uma má idéia. Fui andando devagar apreciando meu caminho e imaginando o que escreveria quando chegasse à praia, sempre levo meu caderno comigo e uma caneta, ou será que leria um livro. Esse é o tipo de duvida que te atormenta num domingo, o que fazer depois que cansar de não fazer nada.

                O dia estava muito bonito, sem vento, sem nuvens um legitimo dia de praia, apesar da temperatura não estar muito alta, a primavera não tinha chegado e já era horário de verão, 16 horas de diferença lá de casa. Quando cheguei a praia já estava com calor de ter andado, por isso fui no banheiro e coloquei meu calção de banho, corri para a água e no caminho larguei minha mochila ao pé de uma árvore e me atirei no mar, meio estranho, a água não era nem fria nem quente, tinha uma cor bonita, mas não era cristalina, era meio azulada/esverdeada voltei para minha árvore coloquei minha camisa e tentei escrever alguma coisa, sentado no chão com as costas contra a árvore, nada saiu, então tentei desenhar alguma coisa, nada também, minha cabeça andava vazia e chata ultimamente então peguei o livro e fiquei ali, alternando o que fazia, lia o livro olhava o movimento de gente passando e beliscava alguma coisa que tinha trazido. Definitivamente eu não estava no Brasil. As pessoas vão para praia e ficam de roupa, as meninas que ficam de bikini parecem usar na verdade uma burka, elas precisam ir ao Brasil aprender a mostrar a bunda em bikinis apertadinhos. Minha comida acabou bem em tempo do almoço que no domingo pode ser um pouco mais tarde, lá pelas duas da tarde, na praia a refeição mais local possível, peixe e fritas, embrulhados num jornal ou num papel vagabundo, é assim que deve ser. Comprei isso e voltei para minha arvore, sentado no chão olhando a vista e comendo peixe e fritas, sendo miseravelmente assediado pelas gaivotas, rato com asas, e estão pelo mundo inteiro. Meu tempo foi passando e tive que pensar na volta para casa, afinal eu ainda teria dez quilômetros pela frente. A tarde chegava ao seu fim, o domingo também e eu nem percebera. No caminho de volta comprei um sorvete e fui feliz pelos dez quilômetros que me separavam de casa porque o domingo estava acabando e eu nem tinha visto o dia se arrastar.

sábado, 20 de julho de 2013

Suicide solution

Tudo começou de maneira usual, o especial não faz o nosso estilo, afinal somos cômicos, nada heróicos, não somos exemplos, talvez sejamos os exemplos a não serem seguidos, ou não, porque, de certa forma isso nos tornaria especiais, coisa que não somos. Enfim o plano era o mesmo de sempre, beber alguma coisa alcoólica, que é socialmente bem aceito, não que realmente nos importemos com isso, mas assim não temos que dar satisfações para ninguém o que é bem menos trabalhoso e mais fácil. Chegando no supermercado o começo de toda a viagem noite a dentro, é ali que decidimos o quão perdidos ficaremos, e dessa vez ninguém quis o tão apreciado uísque, clamavam por cerveja, então cerveja será. A sugestão inicial era: muito da mais barata, muito é relativo. Números, dez litros? Depois de uma confabulação rápida, notou-se o exagero, então levamos apenas seis litros de cerveja e um vinho o que é estranho, tendo em vista que estaríamos entre cinco homens e é de conhecimento geral da nação que vinhos são muito bons com menininhas, mas fizeram questão então levamos. 
Chegando no novo ponto de encontro da galera ficamos sabendo da baixa que sofríamos nessa fria noite de julho. Nosso amigo, frequentador do círculo mais intimo de nossa amizade, frequentava regularmente nossa casa, companheiro de antigas jornadas e peregrinações noturnas, aquele que nos era muito querido agora não seria mais o mesmo. A motivação dele, porque fizera isso? Era tão novo, tão repentino, era muito difícil aceitar. 
Depois saber das notícias nos entristecemos, não sabíamos como proceder naquela situação, nosso luto. Um golpe dessa magnitude é traumático, e o pior de tudo é fora espontâneo, ele fizera isso.  No meio de nossa desolação chega o último dos piratas, com sua sabedoria que vem do berço e uma dúzia de sua própria cerveja, produção própria, ele deve saber das coisas.
Ouviu então a notícia e propôs aquilo que foi a melhor ideia na hora. Beber toda a cerveja em respeito ao nosso antigo amigo, e foi exatamente o que fizemos, tínhamos um balde enorme de cerveja pra cada um, e um quinto balde, em memória daquele pirata imundo. Antes de começar os trabalhos honramos nosso amigo que tinha acabado de entregar o símbolo da sua própria hombridade para a sua namorada, ele o fizera sem remorso, retirou seu pinto e o entregou numa bandeja cheia de ornamentos e flores para a sua donzela. 

Então exclamamos "Ao Sr. F!"

segunda-feira, 25 de março de 2013

Alou, tem alguém ai?



Depois de ter me curado de um amor dos diabos, depois de toda aquela tempestade de loucura, que ninguém viu passar,depois de tudo o que havia para ser pensado fora pensado, talvez então fosse a hora de seguir a diante.

Talvez seguir adiante não seja tão fácil, ou talvez eu tenha simplesmente feito tudo do modo que eu não deveria fazer e fiz com que vencer aquela etapa fosse um dos trabalhos de Hercules. Quem sabe foi difícil pela importância pela qual eu dei a aquela jovem senhorita, a musa da minha desinspiração. Antes daquela senhorita, cuja, dividi a cama, eu escrevia muito sobre qualquer porcaria, e me achava o poeta vivo, o remanescente que ainda pisava sobre o maldito solo terrestre, eu não estava sozinho de fato existiam também mais alguns desmiolados que compartilhavam o pensamento, com certeza haviam outros, mas eu me sentia.

E havia ela, em algum lugar, lá estava ela. Eu cheguei a usar a minha falta de inspiração para escrever sobre a minha falta de inspiração e o resultado foi que nem eu consegui ler aquela merda, bem como eu não lerei essa. É dela, sim dela que eu estou falando, os seus peitos firmes e quando estavam em ação lá ficavam eles, saltitantes. Firmes e saltitantes. O nome dela eu não faço ideia e por isso a chamei de "Marla", assim como todas as trajédias da minha vida. Mas em especial essa Marla foi violênta e não na cama, foi violento a atração e a ruptura que eu tive. Estava lá eu, na época, fumando o cigarro que haviam me dado, porque eu não tinha grana para compra-lo, encostado no parapeito da janela do quarto de hotel que tinha sido alugado por quatro pessoas, eu e a Marla, meu amigo e a puta velha. Entao eu tive uma das minhas malditas epifanias, essa em especial, que eu tive e fui descobrir muito mais tarde, era uma daquelas grandes merdas que não valem nada, mas na hora para mim foi uma verdade universal, olhando aquela moça, Marla, semi-despida e semi-coberta pelos lençois, foi ali, naquela hora eu pensei: "é ela". Na verdade o que era ela, uma puta.

Transamos mais uma vez e eu estava iludido com aquela moça maravilhosamente pelada na minha vida, mas durou nada, meia hora depois nos separamos com a promessa de nunca mais nos vermos novamente. E tudo ia muito bem, até que numa tarde de sexta feira, o mesmo amigo que dormira abraçado com a puta velha, sempre ele. Me convidou a sair para um bar beber umas cervejas, eu, ele, a namorada dele, dois de nossos amigos e a prima da namorada dele. Dessa vez, eu não estava duro, eu tinha uma grana guardada por algum motivo que eu não lembro. Não me achava mais um poeta, ou um artista, ou alguém muito fora do comum simplesmente eu tinha abraçado a mediocridade e aceitado-a com gratidão. Eu tinha um emprego mediocre, e levava uma vida rotineira com uma mediocridade média. Mas estava vivo.

Então ao entardecer tomei a rota para aquele que já havia sido o palco de início de uma odisséia, cheguei sozinho, mas meu amigo e a namorada já estevam lá, me sentei com eles ao redor da mesa. Ficamos por algum tempo ainda conversando apenas nós três, e o pessoal começou a chegar.

Todos os malditos amigos que estavam mortos resurgiram, todos! E para completar o lugar vazio a mesa, senta-se uma jovem moça, que só pude contemplar seu rosto depos que ela se sentou, e com um baque eu vi, era ela, a "Marla". A "Marla" era a prima da namorada do meu amigo, pelo visto ela não se lembrava de mim, nem do comedor da puta velha e o comedor da puta velha não se lembrava dela também. Percebi que a família da "Marla" tampouco sabia que ela já havia se aventurado pelas bandas da capital, e tinha vivido aqui por algum tempo entregue a própria sorte, e percebi também que eu havia sido o único doente que havia memorizado todos os participantes daquela noite. A moça pelo menos tinha uma desculpa, afinal, eramos apenas seus clientes, de, quem sabe, muitos que ela poderia ter tido. Com tudo o que passou pela minha mente em segundos, que pareceram horas, eu consegui disfarçar minha frustração de ve-la e meti na cara a melhor expressão bunda-mole que pude.

E assim passamos a noite, resgatamos em nossas memórias todas as histórias que tinhamos em nosso cartel, as mais toscas, as mais improvavéis, todas aquelas que tinhamos vergonha de contar. E no fim cumprimos nossa missão de ser úteis, agradáveis, nem sempre, mas divertimos a prima, a "Marla", a prima da namorada do nosso amigo. Ela era de fora da cidade, não sabia onde ir, não tinha com quem sair, e nem quem beijar. Entramos na história perfeitamente, e tinhamos escolhido em nossas conversas telepáticas quem ficaria com a moça. Lógico que ela não participou da conversa, e ela tinha escolhido com quem ela queria ficar também. Infelizmente ela tinha escolhido errado, e pelo que parecia ela tinha me escolhido, mas sendo egocêntrico que sou, isso deve ter sido uma ilusão muito bem bolada pela minha cabeça retardada. E aos poucos, a mesa foi ficando vazia e ainda existia muita noite para ser entretida, estavamos em cinco na mesa, e então comecei a apelar para as bebidas mais fortes para sair dali o mais rápido possível, o detalhe é que eu iria embora quando o nosso escolhido ficasse com a moça e eu estava de carona com o escolhido. Ele não podia mais ficar e também não se mostrava tão interessado por ela, então resolvemos que sairiamos do bar e teriamos o rumo de casa diante de nós. A pobre donzela ficaria desacompanhada, frustrada segurando vela para seus amigos. Pagamos a conta e paramos na frente do lugar para nos despedirmos, foi quando a promessa haveria de ser mais uma vez firmada, estavamos eu e ela, sozinhos em nosso momento de despedida, nos encarando e um tchau bastou, seguido de um beijo no rosto, foi a promessa de nunca mais nos vermos novamente, travestida de um simples tchau.