sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Era uma vez um pequeno caderno sem as folhas...

Não sei de quem foi a ideia, mas era boa. Comprar um caderno para anotar os pensamentos, caso alguma coisa interessante fosse pensada, para que ela não se perdesse no monte de besteiras, no monte de coisas banais que nos ocorre todos os dias do ano, se alguma coisa genial fosse pensada, não iria ficar numa vaga lembrança, ou pior que uma vaga lembraça, nenhuma lembrança!

Dei uma olha para ver rapidamente o que passava na cabeça daquele jovem de 19 e quase 20 anos, dúvidas e vontade de mudar, tentar entender as pessoas e questionamentos que se referiam a ele apenas. Já no caderno de outro amigo coisas mais malucas, teias de pensamentos que iam se ligando por alguma teoria ou algum outro pensamento louco todos fundamentados em grandes autores ou não, havia também textos e poemas, crônicas escrito para mocinhas que viviam e dividiam  a atenção do jovem, já de 21 anos.

Pessoalmente achei legal a ideia, divertido para quem gosta de riscar a caneta num papel e deixar suas ideias claras e visiveis num papel, nas horas que não se tem nada para fazer, ter um lugar que se possa sempre escrever alguma coisa é legal, e pode ser em qualquer hora e em qualquer lugar.

No começo do caderno umas bobagens escritas para descontrair e deixar a timidez de lado, isso na parte da frente, atras e de cabeça para baixo (para dificultar os curiosos)  algumas regras e modos de conduta, só para não virar bagunça. Aos poucos as coisas foram fluindo e sendo escritas com bastante frequencia, lista de livros, filmes, frases importantes, pensamentos aleatórios e até um conto sobre um mendigo. Tudo escrito rapidamente, sem ter como ser apagadas, escrito a caneta e uma letra horrivel de entender (mais um modo de manter curiosos a distância, afinal o caderno é a minha cabeça aberta, e não quero ninguém mexendo na minha cabeça). Na faculdade era onde as coisas saiam com mais facilidade porque as aulas nem eram tão interessantes ou se eram interessantes viravam frase que iam para o caderno.

Tudo ia bem até que um dia acabei deixando o caderno na mesa da faculdade, e então o rapaz que cuidava de lá, provavelmente achou interessante a ideia de escrever bobagens num pequeno caderno e fez a mesma coisa, só que com o meu caderno, para que o caderno fosse dele somente, ele arrancou as antigas folhas escritas, pensamentos geniais (ou não) que foram jogados fora.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O rio e a montanha

Lá longe, na beira do rio das ilusões da vida, existe um menino. Ele está lá sentado e ninguém espera nada dele, pois ele é como tantos outros milhares. Lá ele se sente bem, pois foi lá que ele nasceu e cresceu, à margem das coisas. Sua vida é isto: observar. Ele observa. Olha e pensa. As vezes de tanto pensar, paralisa. À margem do rio vive esse menino. O menino no entanto um dia terá de se tornar homem. Mas como? Não sabemos. No entanto à margem do rio está o menino. O rio, por ele passa tudo que um dia foi verdade e nem tudo que foi verdade um dia foi real. Ilusões e desejos passam por esse rio, que começa dentro da cabeça do menino e passa por ele, como algo que já esteve ali desde o princípio.

O menino quer sair. Não é mais possível ficar ali, observando, sempre à margem. Não há mais como. Sofrido é o menino. Ninguém espera muito dele, pois ele é como tantos outros milhares. Mas ele não quer ser mais um. Quer ser outro. Outro. O que fazer? Não sabemos.

O menino não conhece a força que tem. Já viu muito e aprendeu com tudo isso que passou. Ela passou. A rosa que tinha o belo perfume. "Oh rosa porquê você passou?", ele não queria que passasse. Mais uma ilusão a rosa trouxe. Ilusões tem de morrer. Pois com a morte das coisas vem a liberdade. O menino cresce na morte. A morte é a porta de acesso. E é assim que tem que ser. Não há explicação. Essa também tem de morrer. A lógica também precisa morrer. Pois então morra menino.

Morra para nascer de novo, morra para virar homem. Morra, morra menino...e morro acima o menino vai. Pois não existe mais lugar para ele à margem do rio. Ele é forte. Descobriu que tem pernas fortes. Precisa subir. Não há como ficar ali. A beira da montanha. Pois a beira da montanha foi onde ele viveu. Na base da montanha tem o rio. Rio de ilusões à margem da montanha que tapa o Sol. O menino que ver o sol. Corra menino corra. Corra para a morte. Morra menino Morra. Morra para viver.

o menino sobe a montanha e quer ver o que tem lá atrás. Ele sobe e se afasta, pra longe. Bem pra longe de onde um dia ele não foi forte, pra onde um dia ele foi humilhado. Longe do rio, longe da montanha. Pois bem menino você chegou, veja e verá. Sinta. Aí está você menino. Longe do rio e da montanha. Pois bem menino, você agora é homem, morreu no rio, subiu a montanha. Pois bem menino vá ver, que ali atrás do rio e da montanha, está aquilo que você sempre procurou...

está a vida menino...

está a vida...

sábado, 31 de dezembro de 2011

Crônicas dos Cinco Malucos - Conto do Peregrino(parte 1)

Eram cinco. O narigudo, o orelhudo, o cabeludo, o barrigudo e o careca. Sempre juntos, compartilhavam suas maluquices. De fato, eram esquisitos e tinha algumas coisas em comum. Principalmente tinham o que de mais precioso um grupo de homens deve ter: tinham um ritual. Sim, um ritual. Bebiam juntos, fumavam juntos, falavam juntos. Tinha que ser Whisky, não importava qual. Tinha de ter charuto, de preferência cubano. Se não tinha Whisky então podia ser cerveja, se não tinha charuto, então podia ser cigarro. O que eles tinham em comum além disso? suas verdades, idéias e ideologias. Uma fome sedenta por liberdade. Mas não aquela liberdade dos filmes, era outra, maior ainda, a liberdade de ser quem eles eram, malucos, beberrões e peregrinos.
Falavam de mulheres e de amores de uma vida, que duravam, anos, meses ou dias. Falavam das escrotidão do mundo e de como eram também por sua vez escrotos. Falavam do futuro que não chegava nunca e a cada relato um gole mais profundo era dado naquelas garrafas e um trago mais profundo naquelas bitucas.
Juntos viveram uma série de maluquices, cada uma dela sera descrita aqui; a quantidade de detalhes dependerá do meu saco de assim fazê-lo. Não esperem simpatia de mim.
Nesta noite em especial, foram ao aniversário da irmã de um deles. Doce e meiga a menina merecia ser prestigiada, honra que poucos tinham da parte dos malucos. O bar, era um qualquer, mais famoso na região no qual existia. Um pouco apertado mas supostamente o local perfeito para comemorar-se a idade que a doce moça completava.
Logo na chegada( no qual chegaram juntos, apertados em um carro que não suportava aquela quantidade) cumprimentaram a aniversariante. Era cheirosa. O primeiro grande obstáculo fora a socialização. Não eram bons nisso. De cara o cabeludo sentou e como de praxe pediu seu Whisky Jack Daniel's pela dose que era servida lá, isto é, dose de passarinho(o que não fazem os porcos capitalistas com pobres alcoólatras). Ainda de novo, como de praxe, o cabeludo convenceu a todos que o custo benefício, claramente inexistente, era muito bom e logo todos deveriam comprar sua dose também. Dito e feito. "EI AMIGÃO, CINCO DOSES AQUI" disse o orelhudo que de tão marrento tinha o coração congelado. O garçom, típico trabalhador brasileiro chegou na manha e anotou os cinco pedidos, não sem antes escutar na leve malicia o barrigudo dizer "CAPRIIIIIXA HEM PARCERO!". Dito e feito. Doses bem abastadas. ABBASTANZA diriam os italianos. O brinde? Restava decidir. Entrar pra história? Não com vocês. Sexo? Não com vocês. Pais ricos Mães gostosas? Nada original. Olhos conservados? Bom , isso era realmente o essencial. Como num passe de mágica, aquele local de celebração da bela musa aniversariante, estava rodeado de humanos e humanos não eram a preferência daquele seleto grupo de loucos.
Solução, a mesma de sempre..."ÔÔÔ... vou lá na rua fumar um cigarro, quem me acompanha". Todos foram na mesma mentira de sempre, como se algum deles algum dia fosse retornar a mesa do aniversário.
Aí a noite se foi, entre tragadas e risadas, os malucos repetiam os mesmos temas, a polêmica de sempre. Experiências novas entravam no rolo dos contos de crônicas de vidas ordinárias que tinham o seu extra na felicidade da companhia dos malucos. Outros se juntavam aos malucos. A ironia do momento? a de sempre, os mais estranhos logo os mais interessantes. Outras mesas e outras cadeiras eram necessárias para que coubessem todos que tão curiosos queriam se juntar. O bombeiro metido a bonitão deu sua passada, tinha que deixar claro o quanto era contra o cigarro. Nada com que os outros se importassem. Aí então o garçom se aproxima para mais uma dose de maços e cervejas. Quem diria! Amigo do cabeludo, dito e feito, cigarros grátis! Pouco dinheiro, pouco vontade, resultado , já estavam completamente retardados. O narigudo quem o diga, pois não sabem vocês, este mesmo narigudo bêbado idiota foi a grande semente da desgraça que se sucederia dali pra frente.
A noite chegava ao fim, nenhum deles havia conseguido grande sucesso com as damas do local, afinal eram todas coroas que queriam um algo a mais do que simplesmente pênis na vagina. Queriam delicadeza e dinheiro. Como o bom leitor percebe, nenhum dos dois era parte do arsenal dos loucos que eram mais loucos que os loucos. Eles eram o que eram, reclusos num universo a parte, não gostavam de pessoas, aliás, retifico-me, não gostavam das pessoas seguras e vazias. Pois só os loucos conseguem algo. Pessoas desejam, loucos fazem, não é a toa que são o que são.
No final da noite, era necessário voltar ao ponto inicial da aventura toda. O QG dos malucos. Mas como? A mais de 15km de casa, em plena noite fria, que umedecia maços de cigarros e jaquetas de couro. Como fazer? A resposta que seguiu, não foi das mais inteligentes...

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Coisas que eu sempre quis dizer

Você está velho. Os efeitos do tempo recaem a cada dia sobre você.
A vida que supostamente é bela vai passando. As oportunidades para a felicidade, aí na sua frente e você não vê.
As ferramentas você teve todas, mais de uma vez, como brindes que vão e voltam na mão de desinteressados.
Interesse que você quer ver em mim. Não tenho interesse algum. Interesso-me em vê-lo se interessar pela vida que você ainda não viveu. Apenas seus planos.
Foi tudo muito difícil pra você e eu entendo. Aliás, meu grande dom sempre foi esse, o de compreendê-lo. Mas não consigo mais, compreensão requer paciência e eu tenho pressa. Pressa de crescer, de brilhar de sair de perto de você.
Pois você é a sombra que me cuidou, mas também tapou meu Sol.
Pois bem, tiro o máximo do que posso lá do fundo da minha alma e digo pra você: Chega.
Sem exclamações, apenas o mais sútil dizer...chega...
Espero que você viva bem e que algum dia nos reencontremos em outra situação onde possamos ser amigos. Pois neste momento, você bem me disse, somos inimigos.
E não posso suportar mais esse papel. Não quero ser aquele que você depositou as frustrações da sua vida não vivida.
Perto do fim, sempre há um algo a mais a ser dito, mas eu não tenho mais nada a dizer.
Pois acho que não sentirei tanta falta assim. Nos dias que passaram, nossos monólogos não se articularam e agora você vem e me ameaça.
Só quero te dizer, que ainda há como viver a vida que não foi vivida. Pois você, assim como eu (muito embora você não acredite) também é ser humano, feito de carne e osso e principalmente de racionalidade e pensamento. Só tenho a te dizer que a mais importante ferramente da vida também existe em você, e você também pode usá-la para então viver a vida não vivida. Isto que aqui falo, é sua escolha. Pois bem, escolha. E por favor, faça uma boa, não a mesma que me trouxe para perto de você, mas no mínimo escolha, viver.

Um abraço

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Meio metrinho de onda

Todos os dias de verão eram iguais, mas não sabia que sentiria tanta falta desses dias iguais. Acordava cedo, e estava pronto, tudo estava arranjado no dia anterior. Água, uma mochila pronta para tudo que fosse precisar, e a fiel prancha 5'11 feita pelo Avelino Bastos, que magicamente havia esculpido aquela belezinha de prancha, feita sob medida, ao meu gosto.

O ritual, parecia, ser conhecido até pelos vizinhos, que evitavam a garagem apertada naquela hora da manhã para que nossa saida não houvesse nenhum inconveniente, amarrava a prancha no teto do carro, com um nó firme para a prancha não voar e frouxo o suficiente para não danificar a prancha. O caminho era tão conhecido que de olhos fechados podia fazer detalhadamente referencias ao longo do trajeto, mas enfim a praia, e que praia, aquela que é a única, nome de mulher, com um costão imponete a esquerda, uma pedra que faz vira ponte de encontro aos surfistas mais frequentadores, uma água conhecidamente gelada, mas que beleza de banho de mar. E na areia, ainda não tinha muita gente, porque quem chega na praia as 7:30 da manha? Eu chegava, melhor hora da praia e do mar.

Com uma destreza pouco comum, em menos de 5 minutos estava tudo arrumado e a proteção solar estava feita, rodeado de cadeiras e de um galão de água bem gelada para beber. Em quanto isso eu entrava sem nada me segurando, sem cordinha no pé ou roupa de borracha para proteger do frio da agua do mar, era sempre eu e a prancha. Se jogar num abismo de coisas desconhecidas, que é a correnteza do mar, ela pode até ser previsível mas é desconhecida e junto ao costão eu me largava num ritual diário de prazer e satisfação, quando era a hora certa, subia na prancha e me colocava a remar, uma remada sem pressa e aproveitando cada braçada para medir a temperatura. E do costão até a pedra referencia a vida era revisada pro muitas vezes discussões internas que não se aquietam, ainda bem.

Chegando no local marcado mentalmente, era muito provavel que estivesse só, porque afinal quem chega as 7:45 da manha na praia pra surfar, bem, eu chegava. Sonhava sentado na prancha com os olhos atentos no horizonte com dias melhores, dias que os problemas estivessem solucionados e que a paz finalmente tomasse o espirito, com naquele momento estava tomado. Quando a onda se aproximava, num movimento mecânico, eu remava com força para não perder a onda, então ganhava velocidade, mais velocidade e finalmente podia ficar em pé, com as pernas separadas, e o corpo curvado, me aproximava ainda mais da onda com as mãos deslizando na parede, deixando que a velocidade da onda fosse maior que a minha para ficar dentro dela, por segundos mágicos, eu que a visão fica limitada a um pequeno tubo de água, em que eu me encolhia cada vez mais para ficar da vez mais perto da onda, e hora de sair dali, como tudo que é bom dura pouco, numa fração de segundos senti mais coisas do que uma pessoa possa sentir numa vida inteira, dentro daquele tubo, recarreguei as baterias para voltar remando até o local marcado, para ver de poderia repetir alguma vez o que havia sentido.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Esse texto é de um amigo de um amigo meu

      Uma mulher gorda e feia, não muito feia nem muito gorda, só gorda e feia. Um esteriótipo contemporâneo de Tia. Sentada na janela esfregando o vidro com as costas das mãos, tirando o vapor d'agua que o embaça e impede sua visão. Doce ilusão. Se enganando mais uma vez.Sua vida não são mulheres bonitas caminhando na beira-mar, crianças se divertindo, casais felizes em bancos de praças, não. Sua vida é um ônibus abafado pelas janelas fechadas, amontoado de pessoas gordas, feias e suadas, malditos macacos espaciais, cansados de mais oito horas de apertar botões e puxar alavancas. 
      Mas quando sair do ônibus ela vai continuar se enganando, se cobrindo com roupas, crenças, esperanças, vida social, drogas e sexo, mas sabe que atrás do vidro embaçado o que há é a realidade, um amontoado de gente feia, gorda, fedida e mal educada.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Hey you

 Eu quase não estava ali, quando eu estava sentado no onibus, estado alfa, fisicamente estava ali mesmo, mas minha cabeça viajava mais do que nunca. A minha viagem era tão grande que nem lembro o que realmente estava pensando, talvez não estivesse pensando em alguma coisa específica.

Toda freiada do motorista eu voltava, contra minha vontade, para o mundo físico. Nessa freiada em particular quase bati com a cabeça no encosto de cabeça do banco da frente. Em uma revolta particular e silenciosa olho para o cobrador, que olha para a porta de entrada, quando olhei para a porta de entrada tive uma sensação estranha, ela nem era tão bonita assim, mas me fez esquecer minha revolta.

O onibus estava completamente vazio, mas a menina sentou-se logo na cadeira a minha frente, talvez porque ali ela tivesse lugar para esticar as pernas de preguiça, então ela se encostou na cadeira e começou a fazer desenhos na janela, ela estava ali tanto quando eu, que voltei para a festa da minha cabeça. Quando notei eu estava me divertindo com as pontas dos cabelos dela, que estavam espalhados na cadeira dela. Fiquei ali por alguns instantes e ela pareceu notar que estavam mexendo no seu cabelo, dai mudou seu cabelo de posição, de uma forma graciosa e mostrou seu pescoço, que era realmente mais interessante que seu cabelo que ainda continuava ao alcance de minhas mãos.

O transito lento e a fila de carros estendeu por algum tempo a minha presença com ela, que parecia não viajar mais, eu não estava, tentava apenas não ser desagradável. Ela continuava a se mexer na cadeira logo a frente, mas ela não parecia estar procurando conforto e sim um pouco de atenção, foi o que eu fiz, dei para ela a minha atenção no momento, exatamente quando ela se virou um pouco para trás para ver alguma coisa, e acabou encontrando meu olhar, e eu encontrei o dela. Ela deixou seus cabelos agora para eu me divertir, mas a hora de eu sair era eminente, aquele pequeno encontro tinha lugar marcado para terminar, quando cheguei no ponto que sai, não olhei para trás por um segundo, e o onibus se foi com aquela moça lá dentro, nada com que eu me importasse.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Parecia um domingo, ou um sábado, sei la, mas era um dia de senama qualquer. Talvez não fosse qualquer dia da semana, um feriado quem sabe? Nos juntamos por algum motivo, esse era bem claro, amigos. Fomos nos encontrar só pelo fato de nos encontrar mesmo. Coisa de amigos, falar besteiras, rir da desgraça do outro, estar ali para o que for.
No centro e já reunidos éramos três dessa vez, duas baixas. Viagem e família separavam o resto do bando, da corja. Mas a reunião havia de ser feita; não se pode quebrar as regras (e quais são as malditas regras? Ninguém deve se lembrar, no começo eram oito regras). Enfim, juntos e sem nenhum lugar para fazer a "reunião"
- Que merda, aquele bosta viaja e agora não temos onde temos onde tomar nossas cervejas! Isso é trairagem com os Irmãozinho. - Disse o futuro viajante.
- Cala a boca, o cara foi ver a irmã na puta que o pariu e que irmã ein meu amigo! - Disse o comedor de mãe.
- Vamos beber nossa cerveja num lugar bom, vamos beber na rua mesmo! - Eu disse.
Riam da minha cara durante a compra das bebidas, mas sem termos para onde ir ficamos na rua mesmo, por onde bebem os metaleiros e aqueles que bebem escondido dos pais.
Acabamos a beira mar, lugar repleto de gente bonita e de gente saudável, ou também quem queria ser bonito e saudável, e tinha é claro, nós. Os exemplos a não serem seguidos, num dia de semana bebendo com metaleiros na rua, aos olhares de todos aqueles que quisessem nos julgar e aos nossos olhares estavam aquelas infinidades de bumbuns bem esculpidos, alguns novos, outros já mais castigados pelo cruel tempo, mas todos com seu valor. Bundas, cervejas e a calma brisa do mar, num dia breve e nublado, isso me apetece!
Sentados e com suas cabeças ocupadas de bebida e das coisas da vida, cada um com uma ideia e uma fantasia que se dava ao luxo de acreditar, fizemos três monólogos, cada um consigo mesmo e falando para todos, uma cena confusa, mas para nós tudo se encaixava e é claro, fazia todo o sentido.
Meu amigo que queria ser viajante, falava alto seus conhecimentos recém adquiridos, ele precisava saber como é se lançar ao mar e por isso leu de tudo que foi história com esse tema, de tudo quanto nego torto ele procurava conhecer a história das viagens e como se construía, ele buscava tudo. Ele queira tudo, ele queria se tornar cidadão do mundo, e o primeiro passo ele estava dado, nada mais o prendia a essa terra.
O comedor de mãe sofria porque sofria. A todos ele buscava ajudar até mesmo aqueles que abusavam de seu corpo, sendo apenas sua amante. Ele estava amargurado com tal situação, que já perdurava um bom tempo. Reclamava da falta de sexo e também de não te-la por completo. Agora ele buscava uma antiga carne novaa, não sabia como atrair a pobre mocinha, mas ele sabia o que queria com ela, imundo esse rapaz!
E eu estava ali contemplando a paisagem, uma bela vista a beira mar, na bela companhia de bundas que passavam, de aves que corriam umas atrás das outras afim de perpetuar a espécie, porque no fim estamos aqui para isso, aquelas aves já perceberam isso. As marolas vinham a praia e o tempo do dia nublado foi se passando e com meus pensamentos bem menos importante ou vitais do que meus amigos, dei graças de que na minha cabeça havia outra reunião e nenhuma daqueles dois filhos da putas haviam sido convidados, lá eu estava sozinho. Meus amigos são uns escrotos, eu sei disso.
Por fim nos levantamos e no nosso ultimo ato de mal exemplo as criancinhas, atravessamos a avenida fora da faixa de segurança, corremos levemente embreagados e chegamos até uma padaria, onde eu pretendia mijar. Os três pararam no balcão e juntos ponderamos sobre o que comeriamos, nisso o comedor de mãe disse que precisava ir no banheiro. E então tomei-lhe a frente e fechei a porta do banheiro sem ele sequer notar, é quando ouço do lado de fora da porta batidas fortes e uma sonora frase dita pelo meu camarada "seu filho da puta, tú és a escória do mundo!", Então feito o que eu deveria fazer, privei meu amigo por mais alguns momentos do único banheiro do lugar, foi quando eu abri a porta e lá estava ele, escorado na parede e mijando na porta do banheiro.
E eu realmente sou a escória do mundo.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Ela não quer mais nada

Ela estava lá apenas para não sua vaga, o que ela queria era outra coisa, queria rebolar sua bunda bem esculpida longe dali. Ela era formada de um belo par de coxas e peitos, uma bunda redondinha e linda, mas suas feições eram feias e lembravam um cavalo, era ela a Raimunda propriamente dito, feia de cara e boa de bunda.
Se vestia sempre de modo que seus valores físicos ficassem bem expostos, dentro da sala ela era também, um pouco mais velha que boa parte da turma, queria como seu jeito de se vestir e andar, seduzir a todos e ganhou, ela era a feia sedutora de jovens. Sua voz era horrivel de ouvir, lembrava o ganido de algum bicho sendo torturado, pedindo que lhe matassem de uma vez por todas; o que me fazia querer atirar uma cadeira na sua direção toda santa maldita vezes que ela abria a boca escandalosa para fazer qualquer comentário, pra ver se o bicho que estava preso na goela dela morria de uma vez.
Ela fazia cursinho para passar no vestibular, "estudava" todos os dias o dia inteiro, e assim foi o semestre, ela não saia com a turma, sempre falava que precisava estudar e não podia beber umas cervejas com a galera, mas no fim do semestre letivo, perto do vestibular ela estava querendo sair, extravazar a pressão, em algumas outras palavra não muito refinadas, ela tava se querendo toda, sorria pra todo mundo, dava beijo do corpo, ou seja, quem chegasse primeiro seria premiado com uma noitada de carinho por ela.
Numa festinha da turma, então, a primeira dela, porque ela decidira que tinha que parar de se preocupar tanto com o vestibular, ela queria sexo. Simples e prático, sexo para aliviar a tensão. Ela estava a um ano inteiro "se guardando", mas nas últimas semanas que se passaram ela queria mesmo era doar suas intimidades para outra pessoa e em troca receber tudo que o outro podia dar, ela queria que a deflorassem por completo. Não queria restrições ou pudores, ela queria ser má, queria tudo.
Predatoramente, levemente embreagada, desinibida pelo álcool ela saiu caçando algum parceiro sexual para sua noite possivelmente acalorada, o sujeito que seria felizardo ao penetrar naquelas carnes firmes e fortes, brancas e provavelmente pouco exploradas. Escolheu um amigo meu, ela tinha uma queda por ele, então os dois desapareceram durante a festa, e depois disso, meu amigo nunca mais foi o mesmo; ele ficou um final de semana inteiro repondo os líquidos perdidos naquela noite, e ele ficou traumatizado com a coisarada. Disse a mim, numa confissão desesperada depois do ocorrido, que a menina o dera uma chá da coisa, que não permitia que ele saisse de dentro dela, quanto mais ela gozava mais ela o queria e quanto mais ele ficava lá dentro mais ela gozava, fazendo um loop sem fim, que deixou o rapaz impotente.
E ela passou no vestibular depois de aliviar as tensões do vestibular e das provas de fim de ano, então nunca mais rebolou aquela bundinha por perto da minha sala, mas provavelmente nunca foi esquecida, não na memória do rapaz que sofreu, positivamente, nas mãos dela.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Coisas sobre outra pessoa

Ela diz que é fofa
mas todos adoram sua cara de brava.
Ela é orgulhosa
mas é simpática.
Ela é teimosa
mas odeia ser ignorada.
Ela adora seu cabelo
mas se acha feia e adora bater fotos.
Ela é carente e tão irônica, quanta ironia
mas é legal e irrita as pessoas.
Ela é cabeça dura
mas cede com facilidade.
Ela não tem paciência e odeia esperar
mas escuta musica ruim, que é de fuder qualquer paciência.
Ela é bastante auto-critica
e continua escrevendo...
Ela tem 100 coisas sobre ela mesma
É raso largo e profundo
Diz muito sobre nada dela.