quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Um tolo com o coração na sola do pé

Eu sou um tolo
Que pensa que faz poesias
Ou poemas
Ou que escreve qualquer merda que valha a pena ser lida..
Mas então, que melhores poesias
Senão aquelas entoadas
Da esquina mais escura do coração?

Eu me cubro
Com o manto da saudade
Pano velho,
mas que cheira bem.

E sofro na marcha incessante do tempo
Pés com bolhas e não posso parar
não devo
não vou


Mas também respiro feliz
Quando entendo por breves momentos
Que há esperança
mesmo para a mais pobre das Almas

Até a morte parece boa
para a mais podre das carcaças
vai entender...

Estranhos são os caminhos que tenho que passar
E a corrida só faz sentido quando a terminamos
nunca antes,
nunca durante.

Só entendemos alguma coisa depois da caminhada
como a vida só se entende depois da morte,

Com todas as bolhas nos pés.

Minhas poesias vem do coração
Mas meu coração já não está mais onde devia

Pulsa na sola do pé.


E por mais que eu tente
Tudo me parece
Que só lá no fim
Entenderei meu eterno recomeço

domingo, 26 de julho de 2015

O paradoxo da saudade

Eu sou assim
Grande máscara feita dos retalhos das emoções que um dia afoguei

São olhares

Vejo fotos do passado
Tenho saudade de tudo que eu vou perder
O tempo é como uma grande esteira que nos leva ao inevitável fim

Por cada momento fica também uma estranha marca
As coisas que eu não sei lidar
São fugazes
E por não compreender o tamanho dessas mesmas coisas
Apenas sei chorar

Eu queria ter o poder
De acreditar nas mentiras que contamos
Sob o falso nome de sabedoria

Eu queria saber
Esperar em paz pelas coisas que são elas mesmas
Queria escolher com força e ser herói da própria sombra

Cavalo velho e burro
Na ponta da vareta não existem cenouras mas enigmas
E só eles me fazem andar

Pernas cansadas do turbilhão
Que é o maremoto da minha cabeça que pensa demais


Eu pouco sei
E muito
Penso que sei

Mais uma vez em frente ao espelho
Sempre olhando esperando a resposta que não virá
"Quem é esse que me questiona?"
Ah o tempo...

Seco a lágrima
O tempo....


...o tempo


O relógio marca 17h30 nesse final de tarde de domingo
Estou destroçado
Mas amanhã há de ser outro dia...


domingo, 19 de julho de 2015

Algo me chama nas frias noites de Agosto

Existe algo estranho
que me chama
nas frias noites de Agosto

são todas as memórias 
das escolhas não feitas
que um dia eu desejei 
que fossem refeitas

o carro passa
eu vejo a estrada passar também
de longe o mar
e o vidro suavemente embaçado

eu quero sair daqui.
sair por aí em cima de uma moto
por campos verdes passar e viver o mais bonito clichê

quero te ver daquela janela
me olhando com um sorriso doce
porque eu sei que você entende

entende todas as promessa que sustentam o castelo de cartas
do amor que um dia construi pra ti

e sei da tua espera
porque eu te espero

pois eu bem sei
poesias não são nada se não vem do coração
promessas não valem nada se não vem do coração

mas uma vida também não é nada
se não vem do coração
e nessa mesma hora
me olho no espelho
e me questiono

aonde foi meu coração?





quarta-feira, 15 de julho de 2015

Época da minha vida

Teve uma época da minha vida que eu me perdi. Perdas sempre nos levam a inevitáveis pensamentos. Nesses fluxos de ideias a gente se questiona: como faz pra voltar? Será que eu era feliz e não sabia?

Essa é a tese mais antiga que a própria antiguidade: a felicidade é fruto direto ignorância?

Teve uma época da minha vida que eu te perdi. Não perdi como se perde as chaves do carro. Te perdi como uma perda pensada. Foram momentos negros. Tinha de seguir e por não compreender certas coisas e nem mesmo a mim mesmo, não tive outra coisa senão escolher.

Teve uma época da minha vida que se perdeu. Por entre os dedos. Eu não sabia que podia 'ser'. No infinito da possibilidade que esse verbo nos oferece. As histórias dos castelos de areia, barro e vento que a gente observa nas praças da vida, cada uma delas é mais ou menos temperada de tragédias que devemos aprender a saborear.

Teve uma época da minha vida em que vivi. E depois dela eu sabia como tudo poderia ser de novo. Eterno retorno.

Teve uma época da minha vida que eu me encontrei. Achei pelo caminho todos os cacos de vidro. Fiz deles o mais lindo abajur. Peguei o amor disperdiçado e dele fiz uma lâmpada. Iluminei as partes escuras de um porão. Botei o coração na mesa de apostas. Assim mesmo, sem medo de perder.

Teve uma época da minha vida em que eu venci...

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O dia estava quente, nada fora do normal, não tinha muito sol mas também não vento nenhum e quando reparei isso ainda era cedo da manhã. Só pra constar a manhã começado cedo de verdade, por volta das sete e vinte já acordara para não ter o que fazer o dia inteiro. Eu não estava cansado só porque tinha ido dormir perto das quarto da manhã, me sentia deprimido de uma forma que eu nunca me tinha sentido antes e olha, houveram tempos tenebrosos. Noite passada não conseguia dormir sem motivos aparente, além é claro de ficar me lembrando a cada cinco minutos o quão bosta és, afinal de contas nem dormir tu consegue. É pra deixar qualquer um puto.
Enfim, acordado as sete da manhã sem perspectiva nenhuma para o dia inteiro, o que fazer num dia desses? A ideia mais fácil  era se ocupar não fazendo absolutamente nada em algum lugar interessante (no caso qualquer lugar fora de casa) a céu aberto, perto do mar, no meio do mato, não importava direito o lugar e a ideia foi comprada com alguns detalhes: 1- não poderia usar carro para chegar em nenhum lugar, porque eu chegaria muito rápido no meu objetivo, ou seja, eu teria que ir andando. 2- Levar a menor quantidade de dinheiro possível. E 3- Levar um livro.
Um café bem forte e tudo estava pronto para sair, para onde eu iria ainda não tinha sabia ao certo, porem existiam alguns lugares que seriam um destino legal e eu tinha certeza que seriam lugares que eu gostaria de estar

Uma poesia para você

É inevitável que isso aconteça
há muitas lembranças
muitos momentos que compartilhamos.
Você e eu lado a lado
Eu do meu jeito
e você sempre se queixando disso.

Se queixando que eu não
eu não te amava
eu não te deixava feliz
eu não te fazia uma maldita poesia

Pois é essa a minha poesia pra ti

Vai te fuder!

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Isn’t a psychedelic breakfast

                Domingo é naturalmente um dia chato, longe de casa, dos meus amigos e sem uma rotina, cansado de não fazer nada, é nessa situação domingo se torna um dia importante pra se ocupar com alguma coisa, ou senão você se mata. O dia começa pelo café da manha, coisa de inglês isso, eu nunca liguei para o que eu comia de manha, se eu estivesse em casa eu provavelmente não comeria nada porque teria muita preguiça de fazer qualquer coisa, sabe foda-se é só o café da manha, ninguém liga. Por tanto não estou em casa e acho bem interessante se inserir da maneira que se pode na cultura diferente, então faria meu café da manha. Como eu ainda não tinha amigos ou parceiros de festa, não tinha ressaca nenhuma, diferente de todos os malucos que moravam comigo, eles ainda dormiam porque a noite anterior tinha sido grande e cheia de álcool. Eu ainda tava com problema de fuso horário e sempre acordava as quatro horas da manha e tinha dificuldade para voltar a dormir, então sete da manha eu já estava de pé e na cozinha, olhando o que eu tinha para cozinhar, alguma coisa teria que servir de café da manha naquela coisa. Foda-se economizar para amanha domingo já é um dia chato o suficiente para eu me preocupar com mais uma coisa, farei um café da manha com tudo que tenho e tenho direito. Pego quatro fatias do meu pão (o pão era muito vagabundo, o mais barato, era o que eu podia  comprar mas uma fatia parecia uma folha de papel), três fatias restantes de bacon que já estavam quase estragando. Dois ovos e hoje eu tentaria uma coisa nova. Torradas, ovos e bacon é bem padrão pro pessoal aqui, para mim isso não era café da manha, eu estava me inserindo na cultura então isso teria que fazer sentido para mim. Sete da manha é cedo pra qualquer sujeito, não me engano, mas não conseguia mais dormir então fiquei uns quinze minutos encarando os ovos e pensando na melhor maneira de cozinhá-los. Finalmente tive a iluminação, tinham me contado de uma maneira ótima de fazer os ovos. Era bem simples, jogá-los na água e deixar cozinhando por seis minutos, não cinco nem sete, seis.  A clara fica dura e a gema fica dura por fora e cremosa por dentro, uma textura que só fazendo para saber como é. Então já que os ovos eram a questão principal para o sucesso da operação “café da manha” os deixei por ultimo. Os bacons e as torradas não tinham mistério nenhum e são bem rápidos de fazer, então deixei a água dos ovos ferver, montei o prato com as torradas com manteiga, bacon por cima e parti para os ovos. Depois de seis minutos é importante que eles vão direto para a água fria, porque o diferença de temperatura faz alguma coisa com a textura e facilita na hora de tirar a casca. Acho que eu atingi a perfeição divina com meus ovos. Por isso chamei esse método de “seis minutos para o céu”. Depois disso fiz um sanduiche de presunto e queijo, meti uma salada pronta no meio, embrulhei o sanduiche e coloquei na mochila com mais duas maças, uma laranja e um calção de banho mais uma toalha. Estava decidido a ir a praia que ficava dez quilômetros de distancia, mas foda-se porque eu não tinha nada para fazer do meu dia inteiro, ir andando para lá tomaria boa parte do meu dia, e praia sempre é agravável, o dia estava bonito então a praia não era uma má idéia. Fui andando devagar apreciando meu caminho e imaginando o que escreveria quando chegasse à praia, sempre levo meu caderno comigo e uma caneta, ou será que leria um livro. Esse é o tipo de duvida que te atormenta num domingo, o que fazer depois que cansar de não fazer nada.

                O dia estava muito bonito, sem vento, sem nuvens um legitimo dia de praia, apesar da temperatura não estar muito alta, a primavera não tinha chegado e já era horário de verão, 16 horas de diferença lá de casa. Quando cheguei a praia já estava com calor de ter andado, por isso fui no banheiro e coloquei meu calção de banho, corri para a água e no caminho larguei minha mochila ao pé de uma árvore e me atirei no mar, meio estranho, a água não era nem fria nem quente, tinha uma cor bonita, mas não era cristalina, era meio azulada/esverdeada voltei para minha árvore coloquei minha camisa e tentei escrever alguma coisa, sentado no chão com as costas contra a árvore, nada saiu, então tentei desenhar alguma coisa, nada também, minha cabeça andava vazia e chata ultimamente então peguei o livro e fiquei ali, alternando o que fazia, lia o livro olhava o movimento de gente passando e beliscava alguma coisa que tinha trazido. Definitivamente eu não estava no Brasil. As pessoas vão para praia e ficam de roupa, as meninas que ficam de bikini parecem usar na verdade uma burka, elas precisam ir ao Brasil aprender a mostrar a bunda em bikinis apertadinhos. Minha comida acabou bem em tempo do almoço que no domingo pode ser um pouco mais tarde, lá pelas duas da tarde, na praia a refeição mais local possível, peixe e fritas, embrulhados num jornal ou num papel vagabundo, é assim que deve ser. Comprei isso e voltei para minha arvore, sentado no chão olhando a vista e comendo peixe e fritas, sendo miseravelmente assediado pelas gaivotas, rato com asas, e estão pelo mundo inteiro. Meu tempo foi passando e tive que pensar na volta para casa, afinal eu ainda teria dez quilômetros pela frente. A tarde chegava ao seu fim, o domingo também e eu nem percebera. No caminho de volta comprei um sorvete e fui feliz pelos dez quilômetros que me separavam de casa porque o domingo estava acabando e eu nem tinha visto o dia se arrastar.

sábado, 20 de julho de 2013

Suicide solution

Tudo começou de maneira usual, o especial não faz o nosso estilo, afinal somos cômicos, nada heróicos, não somos exemplos, talvez sejamos os exemplos a não serem seguidos, ou não, porque, de certa forma isso nos tornaria especiais, coisa que não somos. Enfim o plano era o mesmo de sempre, beber alguma coisa alcoólica, que é socialmente bem aceito, não que realmente nos importemos com isso, mas assim não temos que dar satisfações para ninguém o que é bem menos trabalhoso e mais fácil. Chegando no supermercado o começo de toda a viagem noite a dentro, é ali que decidimos o quão perdidos ficaremos, e dessa vez ninguém quis o tão apreciado uísque, clamavam por cerveja, então cerveja será. A sugestão inicial era: muito da mais barata, muito é relativo. Números, dez litros? Depois de uma confabulação rápida, notou-se o exagero, então levamos apenas seis litros de cerveja e um vinho o que é estranho, tendo em vista que estaríamos entre cinco homens e é de conhecimento geral da nação que vinhos são muito bons com menininhas, mas fizeram questão então levamos. 
Chegando no novo ponto de encontro da galera ficamos sabendo da baixa que sofríamos nessa fria noite de julho. Nosso amigo, frequentador do círculo mais intimo de nossa amizade, frequentava regularmente nossa casa, companheiro de antigas jornadas e peregrinações noturnas, aquele que nos era muito querido agora não seria mais o mesmo. A motivação dele, porque fizera isso? Era tão novo, tão repentino, era muito difícil aceitar. 
Depois saber das notícias nos entristecemos, não sabíamos como proceder naquela situação, nosso luto. Um golpe dessa magnitude é traumático, e o pior de tudo é fora espontâneo, ele fizera isso.  No meio de nossa desolação chega o último dos piratas, com sua sabedoria que vem do berço e uma dúzia de sua própria cerveja, produção própria, ele deve saber das coisas.
Ouviu então a notícia e propôs aquilo que foi a melhor ideia na hora. Beber toda a cerveja em respeito ao nosso antigo amigo, e foi exatamente o que fizemos, tínhamos um balde enorme de cerveja pra cada um, e um quinto balde, em memória daquele pirata imundo. Antes de começar os trabalhos honramos nosso amigo que tinha acabado de entregar o símbolo da sua própria hombridade para a sua namorada, ele o fizera sem remorso, retirou seu pinto e o entregou numa bandeja cheia de ornamentos e flores para a sua donzela. 

Então exclamamos "Ao Sr. F!"

segunda-feira, 25 de março de 2013

Alou, tem alguém ai?



Depois de ter me curado de um amor dos diabos, depois de toda aquela tempestade de loucura, que ninguém viu passar,depois de tudo o que havia para ser pensado fora pensado, talvez então fosse a hora de seguir a diante.

Talvez seguir adiante não seja tão fácil, ou talvez eu tenha simplesmente feito tudo do modo que eu não deveria fazer e fiz com que vencer aquela etapa fosse um dos trabalhos de Hercules. Quem sabe foi difícil pela importância pela qual eu dei a aquela jovem senhorita, a musa da minha desinspiração. Antes daquela senhorita, cuja, dividi a cama, eu escrevia muito sobre qualquer porcaria, e me achava o poeta vivo, o remanescente que ainda pisava sobre o maldito solo terrestre, eu não estava sozinho de fato existiam também mais alguns desmiolados que compartilhavam o pensamento, com certeza haviam outros, mas eu me sentia.

E havia ela, em algum lugar, lá estava ela. Eu cheguei a usar a minha falta de inspiração para escrever sobre a minha falta de inspiração e o resultado foi que nem eu consegui ler aquela merda, bem como eu não lerei essa. É dela, sim dela que eu estou falando, os seus peitos firmes e quando estavam em ação lá ficavam eles, saltitantes. Firmes e saltitantes. O nome dela eu não faço ideia e por isso a chamei de "Marla", assim como todas as trajédias da minha vida. Mas em especial essa Marla foi violênta e não na cama, foi violento a atração e a ruptura que eu tive. Estava lá eu, na época, fumando o cigarro que haviam me dado, porque eu não tinha grana para compra-lo, encostado no parapeito da janela do quarto de hotel que tinha sido alugado por quatro pessoas, eu e a Marla, meu amigo e a puta velha. Entao eu tive uma das minhas malditas epifanias, essa em especial, que eu tive e fui descobrir muito mais tarde, era uma daquelas grandes merdas que não valem nada, mas na hora para mim foi uma verdade universal, olhando aquela moça, Marla, semi-despida e semi-coberta pelos lençois, foi ali, naquela hora eu pensei: "é ela". Na verdade o que era ela, uma puta.

Transamos mais uma vez e eu estava iludido com aquela moça maravilhosamente pelada na minha vida, mas durou nada, meia hora depois nos separamos com a promessa de nunca mais nos vermos novamente. E tudo ia muito bem, até que numa tarde de sexta feira, o mesmo amigo que dormira abraçado com a puta velha, sempre ele. Me convidou a sair para um bar beber umas cervejas, eu, ele, a namorada dele, dois de nossos amigos e a prima da namorada dele. Dessa vez, eu não estava duro, eu tinha uma grana guardada por algum motivo que eu não lembro. Não me achava mais um poeta, ou um artista, ou alguém muito fora do comum simplesmente eu tinha abraçado a mediocridade e aceitado-a com gratidão. Eu tinha um emprego mediocre, e levava uma vida rotineira com uma mediocridade média. Mas estava vivo.

Então ao entardecer tomei a rota para aquele que já havia sido o palco de início de uma odisséia, cheguei sozinho, mas meu amigo e a namorada já estevam lá, me sentei com eles ao redor da mesa. Ficamos por algum tempo ainda conversando apenas nós três, e o pessoal começou a chegar.

Todos os malditos amigos que estavam mortos resurgiram, todos! E para completar o lugar vazio a mesa, senta-se uma jovem moça, que só pude contemplar seu rosto depos que ela se sentou, e com um baque eu vi, era ela, a "Marla". A "Marla" era a prima da namorada do meu amigo, pelo visto ela não se lembrava de mim, nem do comedor da puta velha e o comedor da puta velha não se lembrava dela também. Percebi que a família da "Marla" tampouco sabia que ela já havia se aventurado pelas bandas da capital, e tinha vivido aqui por algum tempo entregue a própria sorte, e percebi também que eu havia sido o único doente que havia memorizado todos os participantes daquela noite. A moça pelo menos tinha uma desculpa, afinal, eramos apenas seus clientes, de, quem sabe, muitos que ela poderia ter tido. Com tudo o que passou pela minha mente em segundos, que pareceram horas, eu consegui disfarçar minha frustração de ve-la e meti na cara a melhor expressão bunda-mole que pude.

E assim passamos a noite, resgatamos em nossas memórias todas as histórias que tinhamos em nosso cartel, as mais toscas, as mais improvavéis, todas aquelas que tinhamos vergonha de contar. E no fim cumprimos nossa missão de ser úteis, agradáveis, nem sempre, mas divertimos a prima, a "Marla", a prima da namorada do nosso amigo. Ela era de fora da cidade, não sabia onde ir, não tinha com quem sair, e nem quem beijar. Entramos na história perfeitamente, e tinhamos escolhido em nossas conversas telepáticas quem ficaria com a moça. Lógico que ela não participou da conversa, e ela tinha escolhido com quem ela queria ficar também. Infelizmente ela tinha escolhido errado, e pelo que parecia ela tinha me escolhido, mas sendo egocêntrico que sou, isso deve ter sido uma ilusão muito bem bolada pela minha cabeça retardada. E aos poucos, a mesa foi ficando vazia e ainda existia muita noite para ser entretida, estavamos em cinco na mesa, e então comecei a apelar para as bebidas mais fortes para sair dali o mais rápido possível, o detalhe é que eu iria embora quando o nosso escolhido ficasse com a moça e eu estava de carona com o escolhido. Ele não podia mais ficar e também não se mostrava tão interessado por ela, então resolvemos que sairiamos do bar e teriamos o rumo de casa diante de nós. A pobre donzela ficaria desacompanhada, frustrada segurando vela para seus amigos. Pagamos a conta e paramos na frente do lugar para nos despedirmos, foi quando a promessa haveria de ser mais uma vez firmada, estavamos eu e ela, sozinhos em nosso momento de despedida, nos encarando e um tchau bastou, seguido de um beijo no rosto, foi a promessa de nunca mais nos vermos novamente, travestida de um simples tchau.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Sem Nexo

Mundo cão,
mundo filho da puta,
e quando falo do mundo, eu falo das pessoas!
Pessoas do cão,
Pessoas filhas-da-puta!

A poesia, só é bela aos olhos do poeta que a faz,
a música é bela aos ouvidos daqueles que a esperaram,

A vida segue, sem aparente sentido,
é necessário devoção as coisas do espírito,

Palavras ao vento
vontade de viver,

Aonde está você em meio a tempestade?

quinta-feira, 28 de junho de 2012

O fantasma do meu sonho

O fantasma do meu sonho surgiu em algum dia no meio de uma infância bem vivida.
Na transição de um dos mundos dos quais, ele se perdeu, voltou, forte como um dia quente. Na vida que não passava de uma promessa.
Questionamentos.
E se nada daquilo que esperamos for mesmo o que esperamos? Não há muito tempo.
Agora que estamos aqui, qual é a pergunta certa? Como seguir em frente? Porque ela se faz enigma do meu sonho?
São só perguntas. A vida é dor.
As montanhas são altas e difíceis de trilhar. O sofrimento, sabe-se lá porque, é companheira fiel de caminhadas a largos passos. Muita letra, muita palavra.
A alma tem de ser o espelho da própria alma.
A escuridão não é um lugar assustador e o inferno não é um lugar quente. Muito pelo contrário.
Certezas edificantes são o mal do homem. É necessário uma rachadura, é necessário quebrar o concreto, é necessária a morte.
É necessário que lembremos sempre quem somos e para onde vamos.
Não somos nada.
Somo tubos.
O céu hoje não é o mesmo de ontem, nunca será.
Em mim algo mudou, lá fora o vento sopra. Aqui dentro já não mais se sabe o que acontece.
Pois que este é o meu caminho, o meu destino, a morte e a regeneração.
Viver mais do que necessário, é inevitável...


terça-feira, 26 de junho de 2012

O verdadeiros Piratas não morrem, apenas descansam no Porto...

Eu sou essa coisa que existe mais ou menos entre a metade de todas as coisas.
Ser o 8 ou o 80 é um questionamento que verdadeiramente importa.
Sabe-se lá o sentido da vida, mas se ele realmente for descoberto quem será a pessoa que o seguira a risca, com a fé nos dias melhores que virão?
Sabe-se lá o que nos aguarda num outro lado das coisas que simplesmente são neste momento. Se lá existir algo, então a vida não é questão efêmera como muitos dizem que é. Mas se estiver algo do outro lado, o que será de mim agora, pirata sujo e podre que viveu a margem de um desejo?
Se os piratas morreram, só morreram na grossura do invólucro que antes os mantinham vivo, pois de alguma forma estão vivos na memória daqueles que souberem viver o momento enquanto ele existia.
"The good old days are the good old days!" disse-me o maluco com cigarro na boca, certa vez. Palavras sábias a do maluco no alto de uma sabedoria que nem ele sabia que tinha, mas eu sim.
Talvez não exista muito coerência na minha letra, pois aquele que não conhece o meu mundo não deverá mesmo entender tudo que aqui é dito. Temporariamente, as letras são belas sim e fazem sentido aqui. Mas o sentido é tudo que procuramos e mesmo assim é tudo que não achamos. Tal questão me leva a questionar ainda mais se não estamos fadados a não ter sentido algum, Sartre estava certo então?
Elucubrações, tagarelagem, fala sem sentido e sem rumo, estamos condenados a falar.
Vazio e falta, eis que é a nossa condição, desejar, procurar aquilo que nos completa. Terrível escolha, perigosa também, pois que se um dia estiver completo, aí então, estarei morto, pois eis que morremos, nós os piratas, pois estávamos completos. A completude de toda nossa falta de rumo, pois nos identificamos com o que hoje nós somos, e completos não podemos SER, por isso morremos, os piratas estão mortos, mas vivos no buraco de tudo aquilo que um dia foi e não poderá mais ser, mas que será outra coisa, talvez melhor...





sexta-feira, 15 de junho de 2012

Os piratas estão mortos!

Num tempo bastante remoto quando quaisquer motivos eram justificaveis para encher a cara e falar besteiras entre amigos, quando não haviam desculpas perdoaveis para recusar um trago, podia ser cerveja ou uisque, uisque nas noites frias era a preferencia, ele acalorava as mentes que se sintonizavam e o resultado era apenas besteiras sem escrupulos. Poemas, contos, histórias inventadas, universo paralelo já foram escritos para que as aventuras deles não fossem apenas viva na memória daqueles que participaram, essas histórias estão num lugar que é fácil de achar, se souber onde procurar. Para que os aventureiros se congrasassem de tal forma não foi necessário muito, um simples ódio em comum foi a desculpa, mas antes disso já havia uma pre-disposição para que uma amizade forte se concretizasse, o ódio foi, digamos assim, um catalizador para que todos se identificassem com a causa.
No começo tudo que era feito foi pensado para a regulamentação do grupo de amigos, uma denominação, código de ética, honra, juramento, toques de reconhecimento, palavras de ordem, e no fim o que sobrou mesmo foram as regras que são bem claras. O questionário pelo que eu me lembro era rápido, simples e eficaz para lembrar que não faremos história, não com vocês.
As histórias no começo eram sobre cada um dos piratas, cada um contando uma história, cada um isolado do outro, logo mais as histórias passaram a ser contadas em grupo, quase que num coro ou então montadas como um quebra cabeças, porque com o teor alcoolico dos envolvidos a história tinha que ser contada por partes, cada um se lembrava de alguma coisa e juntando todos os fragmentos de história quem sabe desse um conto de verdade, o que realmente aconteceu, oras nunca saberemos.
Odisseias poderiam ser escritas pela vivencia dos jovens piratas, com ou sem ajuda dos deuses, com ou sem mulheres, com viagens quilométricas ou até mesmo aquelas que eles ficavam em casa, renderiam muitos livros, ou não (talvez ninguém quisessem escreve-los), mas eles estavam juntos e prontos para o que desse e o que viessse, sem desculpas, sem poréns...
Alguém por ai me disse que num breve discurso, a verdade mensagem vinha apenas depois do "mas", então, MAS tudo isso parece que foi perdido, a promessa desfeita, a amizade que antes fora o que os mantiveram de pé, agora é apenas uma memória triste, pois virou passado...
Together we stand divided we fall

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Just in case you've forgotten, my romantic friend...


"Joe says: "Oh my god, I don't know what to do godfather"
(Joe cries like a baby)
(Godfather slaps Joe in the face)
Godfather says: "YOU CAN ACT LIKE MEN FOR CHRIST SAKES"
(Joe stop crying, the world keeps on turning)


that's life...

terça-feira, 24 de abril de 2012

If the sun refuse to shine, i still been loving you...

Eu tenho medo, tenho medo porque não sei se o que faço hoje é correto, tenho medo de fazer sofrer quem muito me fez feliz. Tenho certeza que é isso que eu quero, mas não deixo de temer pelo que quero. O certo e o errado é uma questão de crença, e egoista que sou acredito que o que fiz no futuro fará bem a todos, e eu espero que ela também veja dessa forma, porque a única coisa que me conforta é que ela ficará melhor se eu não estiver por perto. Espero que ela perceba isso antes de sofrer e criar uma resistência, ou uma ferida profunda demais para sarar. Esse texto já estava no meu caderno faz um bom tempo, mas só agora resolvi postar, porque sou idiota.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Eu realmente me dediquei porque eu acreditava nisso, não era de maneira alguma o melhor amante possível.

Eu sou extremamente frio com determinadas situações, porque muito já fiz no calor da paixão e acabei me fudendo, desculpa pelo modo de falar. A vida e as relações que eu mantive, foram até a última, pouco duradoras porque não tinha paciência para lidar com brigas, birra, disputa de ego, coisas normais das relações humana. Mas eu conheço minhas falhas, eu me calo para que não haja discussão, eu guardo minhas emoções para mim mesmo, e deixo a desejar no quesito de romanticidade. Me perdoe, não fui criado num lugar onde o amor e a sinceridade de emoções circulavam livremente pelos corredores, muito pelo contrário, fui acostumado a esconder o que eu pensava, sentia e sofria comigo mesmo, porque se expusesse todo o turbilhão de coisas que passa por essa mente doentia, as pessoas iriam se assustar, talvez fossem querer que eu me tratasse num médico de loucos e essas coisas todas, mas eu fui treinado para ficar com minhas emoções, por motivos próprio que eu não peço que entendas, mas esses motivos existem e de novo, são meus.
A culpa do fim foi toda minha e eu te peço desculpa por ter magoado teus sentimentos, eu jamais quis fazer isso com uma pessoa que tanto amo. Eu te disse que não podias duvidar do amor que eu tinha por ti, e espero que tu não duvides como fizestes por tantas vezes, eu não sou a pessoa certa nem pra mim mesmo, desculpe por ter te dado uma impressão de poder te dar uma coisa que esta totalmente fora do meu alcançe, a felicidade. Eu fui feliz do teu lado mas nunca consegui te fazer feliz ao meu. Quando eu não disse que te amava por fraqueza, fazendo com que tu sofresse por isso, porque eu não conseguia dizer uma coisa que estava bem na ponta da minha lingua, eu só não sabia como dizer, acabei pecando por esperar demais, te fiz sofrer, mais uma vez. Quando eu não demosntrei interesse em ti quando tu era tudo que fazia meu mundo girar, o motivo por eu continuar respirando, por eu ser grosso e estupido quando tu precisava de uma palavra de carinho, desculpa pela falta de sensibilidade que me é peculiar, por não ser a tua melhor companhia.

Acredite eu fiz o melhor que eu pude...

segunda-feira, 19 de março de 2012

Conto das Ruas da Cidade


Normais ou histéricos, bêbados ou sóbrios; eram todos cinco e tinham juntos uma história em comum. Estiveram deitados com uma mesma mulher, é bom ressaltar que cada um com seu momento oportuno (ou um espaço bastante curto de tempo) na cama dela. Para preservar uma identidade falsa, de uma moça quase donzela de família quase boa, chama-se, então, Bocaiuva. O nome dela foi dado não em vão, mas por um breve consenso pelos jovens que obtiveram o mesmo prazer daquela moça. Bocaiuva foi uma homenagem ao seu falecido marido o senhor Esteves Junior, bom homem, era tão corno que provavelmente não passava de pé por uma porta, sorte dele, ou não, ele estar tão doente e preso a uma cadeira de rodas, a velhice já tinha acometido aquele corpo que não funcionava mais do mesmo jeito, e a cadeira de rodas fazia com que o velho Esteves Júnior passasse com facilidade pelas portas que tinha em casa, independente do tamanho de sua galhada. A boca da moça era como ela, muito mais nova que o Esteves Junior, satisfazia o velho, sexo oral dela era perfeito. E os cinco rapazes também conheciam bem o talento. Logo depois do velho morrer e deixar para a Bocuda uma pequena fortuna, suficiente para evitar que ela tivesse que trabalhar o resto da vida, e ela estava administrando muito bem o dinheiro fazendo festas e arrumando outros amantes. Por isso Bocaiuva, Boca-viuva, Bocaiuva era para facilitar, pobre Esteves Junior.
Antes mesmo do velho morrer ela já estava festando, e Vidal Ramos, foi um dos amantes. Cara bastante estranho, um cara exótico a Bocaiuva, e por isso, provavelmente ela gostava dele, porque ele era o desconhecido, a parte do mundo que ela nunca havia experimentado, novas posições sexuais, novas comidas, novas bebidas. Vidal Ramos era o poeta vivo, baixaria, porres, tudo para tentar sair do mundo que ele vivia, o mundo dentro da sua cabeça, ele era o ultimo romântico vivo, fuga da realidade. Pouca idade e muitas histórias para contar. Ele costumava mesmo prender as mocinhas por perto dele.
Tenente Silveira era um senhor culto e reservado, era também egoísta, tudo que ele pensava ficava dentro da sua cabeça, era um cara bastante misterioso. Gostava de escrever, mas não publicava as coisas e relia o que havia sido escrito, pensamentos nebulosos, pessimistas e gostava de viajar. Morava longe da casa da Bocaiuva mas sempre que vinha para o centro da cidade fazia uma visita para a moça, num hotel ou outro lugar menos visitado. Faziam o que deveriam, ou não, fazer e iam embora, cada um para seu lado. De formação militar, como sua patente sugere, pois era realmente um tenente no exército, reformado, mas não era velho. Ele foi o primeiro caso de Bocaiuva foi quando o velho adoeceu, ela precisava de um ombro amigo, e ele acabou dando a ela mais do que o ombro.
Rio Branco foi o caso mais dramático que a safadinha teve, porque foi logo em seguida da morte do Esteves Junior, logo quando ela caiu na real e viu que não teria o seu velhinho nos braços de novo, e depois de tê-lo traído tanto sua consciência pesou e ela precisava de alguém que ficasse do lado dela com uma amizade. O suporte perfeito para ela, uma pena que ela tivesse que transar com todas as pessoas que ela achava interessante, e o Rio Branco era realmente interessante, era bem letrado, entendia as angústias da moça e ela dizia que o papo de travesseiro era ótimo, ele era o cara que gostava de manter seus pensamentos nos pensamentos dos outros, queria ajudar a todos que estavam do lado dele, e assim o fazia, entregava-se de corpo e alma, tinha corpo jovem e uma alma velha. E com a jovem Bocaiuva ele tinha um caso bastante complexo, porque a ligação física era tão forte quanto a psicológica, e para Rio Branco ela era um caso para a vida inteira, e para Bocaiuva ele era apenas alguém que ela podia transar e conversar, simples assim.
O caso que ela teve mais tarde, com um senhor de uma idade mais avançada, não era velho, de maneira alguma, ele apenas era mais velho do que os caras que Bocaiuva costumava sair, e a donzela Bocaiuva tinha uma queda por homens fardados, esse era um almirante que frequentemente encontrava na rua, sempre muito bem alinhado e sua postura muito ereta, mostrava que ele era sim um homem correto e assim como ela, era viúvo  e parecia triste no dia em que Bocaiuva passou por ele, no mercado, ele almoçava sozinho, e ela que jamais almoçava sozinha (por sempre ter alguém junto a ela, logicamente), então com sua alma caridosa, ela o convidou para almoçar em sua casa, pois ela faria o próprio almoço, e gostaria de uma nova companhia. Ela já pensava bobagens, e pensava como iria despi-lo, ela imaginava o tamanho das coisas do homem, e ele pensava apenas no que iria comer, porque não havia, ainda, ocorrido a ele, que seu almoço seria muito diferente, e muito agradável.
E o último dos cinco caras...
Não necessariamente foi o último caso, foi um pouco antes do velho Esteves morrer. Era apenas um jovem normal, gostava de ler livros, ver filmes, sair com garotas, fazer coisas normais para um cara de sua idade. Mas como sempre a senhora Bocaiuva apareceu na vida desse rapaz, que bastante inexperiente caiu nas malvadas garras de uma amante voraz, que mais rodada que ele, o ensinou muitos truques e saiu de sua vida, assim que fizera como todos os outros. Então cinco homens se encontravam depois de um tempo, depois do furacão Bocaiuva passar pelas suas vidas, deixando perguntas sem respostas, e muito mais, mas assim era ela, apenas diversão, então, nada havia a se fazer senão sentar-se todos juntos, os cinco, na mesa de um bar e compartilhar as experiências vividas com a jovial e bonita, Bocaiuva. Uma boa amante e uma terrível mulher.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

WTF

E quando tudo estiver perdido,
ainda haverá esperança?
E quando as coisas não forem as mesmas,
haverá ainda esperança?
E quando acabar a esperança,
estarás tu então salvo?

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Era uma vez um pequeno caderno sem as folhas...

Não sei de quem foi a ideia, mas era boa. Comprar um caderno para anotar os pensamentos, caso alguma coisa interessante fosse pensada, para que ela não se perdesse no monte de besteiras, no monte de coisas banais que nos ocorre todos os dias do ano, se alguma coisa genial fosse pensada, não iria ficar numa vaga lembrança, ou pior que uma vaga lembraça, nenhuma lembrança!

Dei uma olha para ver rapidamente o que passava na cabeça daquele jovem de 19 e quase 20 anos, dúvidas e vontade de mudar, tentar entender as pessoas e questionamentos que se referiam a ele apenas. Já no caderno de outro amigo coisas mais malucas, teias de pensamentos que iam se ligando por alguma teoria ou algum outro pensamento louco todos fundamentados em grandes autores ou não, havia também textos e poemas, crônicas escrito para mocinhas que viviam e dividiam  a atenção do jovem, já de 21 anos.

Pessoalmente achei legal a ideia, divertido para quem gosta de riscar a caneta num papel e deixar suas ideias claras e visiveis num papel, nas horas que não se tem nada para fazer, ter um lugar que se possa sempre escrever alguma coisa é legal, e pode ser em qualquer hora e em qualquer lugar.

No começo do caderno umas bobagens escritas para descontrair e deixar a timidez de lado, isso na parte da frente, atras e de cabeça para baixo (para dificultar os curiosos)  algumas regras e modos de conduta, só para não virar bagunça. Aos poucos as coisas foram fluindo e sendo escritas com bastante frequencia, lista de livros, filmes, frases importantes, pensamentos aleatórios e até um conto sobre um mendigo. Tudo escrito rapidamente, sem ter como ser apagadas, escrito a caneta e uma letra horrivel de entender (mais um modo de manter curiosos a distância, afinal o caderno é a minha cabeça aberta, e não quero ninguém mexendo na minha cabeça). Na faculdade era onde as coisas saiam com mais facilidade porque as aulas nem eram tão interessantes ou se eram interessantes viravam frase que iam para o caderno.

Tudo ia bem até que um dia acabei deixando o caderno na mesa da faculdade, e então o rapaz que cuidava de lá, provavelmente achou interessante a ideia de escrever bobagens num pequeno caderno e fez a mesma coisa, só que com o meu caderno, para que o caderno fosse dele somente, ele arrancou as antigas folhas escritas, pensamentos geniais (ou não) que foram jogados fora.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O rio e a montanha

Lá longe, na beira do rio das ilusões da vida, existe um menino. Ele está lá sentado e ninguém espera nada dele, pois ele é como tantos outros milhares. Lá ele se sente bem, pois foi lá que ele nasceu e cresceu, à margem das coisas. Sua vida é isto: observar. Ele observa. Olha e pensa. As vezes de tanto pensar, paralisa. À margem do rio vive esse menino. O menino no entanto um dia terá de se tornar homem. Mas como? Não sabemos. No entanto à margem do rio está o menino. O rio, por ele passa tudo que um dia foi verdade e nem tudo que foi verdade um dia foi real. Ilusões e desejos passam por esse rio, que começa dentro da cabeça do menino e passa por ele, como algo que já esteve ali desde o princípio.

O menino quer sair. Não é mais possível ficar ali, observando, sempre à margem. Não há mais como. Sofrido é o menino. Ninguém espera muito dele, pois ele é como tantos outros milhares. Mas ele não quer ser mais um. Quer ser outro. Outro. O que fazer? Não sabemos.

O menino não conhece a força que tem. Já viu muito e aprendeu com tudo isso que passou. Ela passou. A rosa que tinha o belo perfume. "Oh rosa porquê você passou?", ele não queria que passasse. Mais uma ilusão a rosa trouxe. Ilusões tem de morrer. Pois com a morte das coisas vem a liberdade. O menino cresce na morte. A morte é a porta de acesso. E é assim que tem que ser. Não há explicação. Essa também tem de morrer. A lógica também precisa morrer. Pois então morra menino.

Morra para nascer de novo, morra para virar homem. Morra, morra menino...e morro acima o menino vai. Pois não existe mais lugar para ele à margem do rio. Ele é forte. Descobriu que tem pernas fortes. Precisa subir. Não há como ficar ali. A beira da montanha. Pois a beira da montanha foi onde ele viveu. Na base da montanha tem o rio. Rio de ilusões à margem da montanha que tapa o Sol. O menino que ver o sol. Corra menino corra. Corra para a morte. Morra menino Morra. Morra para viver.

o menino sobe a montanha e quer ver o que tem lá atrás. Ele sobe e se afasta, pra longe. Bem pra longe de onde um dia ele não foi forte, pra onde um dia ele foi humilhado. Longe do rio, longe da montanha. Pois bem menino você chegou, veja e verá. Sinta. Aí está você menino. Longe do rio e da montanha. Pois bem menino, você agora é homem, morreu no rio, subiu a montanha. Pois bem menino vá ver, que ali atrás do rio e da montanha, está aquilo que você sempre procurou...

está a vida menino...

está a vida...